

CURSO DE PSICANÁLISE
Turma 35
MARCO ANTÔNIO MARTINS
REFLEXÕES SOBRE A CONSCIENTIZAÇÃO EM RELAÇÃO DAS QUESTÕES PSICOSSOMÁTICAS ATRAVÉS DO VÍDEO ALUSIVO AO PERSONAGEM “FRAJOLA”, DA WORNER BROS.
ATIVIDADE I

Sete Lagoas
2025
MARCO ANTÔNIO MARTINS
REFLEXÕES SOBRE A CONSCIENTIZAÇÃO EM RELAÇÃO DAS QUESTÕES PSICOSSOMÁTICAS ATRAVÉS DO VÍDEO ALUSIVO AO PERSONAGEM “FRAJOLA”, DA WORNER BROS.
Trabalho apresentado ao Curso de Psicanálise da SBPE – Sociedade Brasileira de Psicanálise, para a disciplina [Psicossomática].
Prof. Izar
Sete Lagoas
2025
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho em breve tese busca apresentar reflexões sobre a conscientização em relação da questão da saúde mental através do vídeo alusivo ao personagem Frajola da Worner Bros.
Em primeira análise, podemos em tese asseverar que o desenho animado mostra o personagem do desenho da Warner Bros, o gato Frajola que, apesar de sua natureza de certa forma engraçada, representa nossas lutas internas, ou seja nossas tempestades que enfrentamos, durante o processo de construção de nós mesmos.
2 DESENVOLVIMENTO
Vivemos num estranho e maravilhoso universo. Apreciar sua idade, tamanho, violência e beleza exige uma imaginação extraordinária. O lugar que nós seres humanos, ocupamos neste vasto cosmo pode parecer bem insignificante e, portanto, tentamos dar um sentido a tudo isso e ver onde é que nos encaixamos.
Hora, são muitos os fatores que criam obstáculos a sua concretização, que vão desde a natureza física do homem que em um momento encontra-se débil, ora forte; a diversidade de estrutura psicológica da humanidade que em um momento encontra-se voltada para a dominação e em outro voltada para a submissão e principalmente, no tocante às estruturas políticas sociais, que na maioria das vezes tendem a consolidar e até mesmo a agravar essas distinções, em vez de atenua-las durante o processo de construção de cada um de nós como seres humanos.
Por esse viés, Cristina Hoyer assevera que[1]:
“Lacan diz que, “entre todos os grupos humanos, a família desempenha um papel primordial na transmissão da cultura” e cabe a ela “estabelecer entre as gerações a continuidade psíquica, que porta leis e proibições””.
Nesse processo, de construção de nós como seres humanos, podemos inferir que somos tal como navios que foram construídos para cruzar os mares, assim, o ser humano em analogia, também veio para cruzar os mares da vida. Nessa jornada, iremos precisar adquirir vários valores morais, tais como: disciplina, honestidade, respeito, gratidão, generosidade, além de vários outros valores, mas ao cruzar os mares da vida, tal qual um navio que em alto mar enfrenta várias tempestades, nós também iremos enfrentar nossas tempestades.
Tempestades estas que poderão advir do próprio contexto do seio familiar, do grupo de amigos, da mídia e também de nós mesmos em face a nossos desejos.
Cristina Hoyer assevera por esse viés que[2]:
“A lei é o que faz nó, ponto de basta, em torno do qual “tudo se irradia e tudo se organiza”, e traça os caminhos do desejo. É pela mediação do significante nome-do-pai que se constituiu a posição subjetiva que determina os laços sociais a serem estabelecidos”.
Cristina Hoyer se manifesta ainda no sentido de que[3]:
“Nesse sentido, toda psicologia individual é também, ao mesmo tempo, uma psicologia social, afirmação de Freud em Psicologia das massas e análise do Eu, e Lacan, em O tempo lógico e asserção de certeza antecipada, conclui que o “coletivo não é nada senão o sujeito do individual”. Desse modo, o indivíduo está articulado com uma instituição e sempre nasce do coletivo”.
Neste contexto, na condição de seres humanos e sabedores de que somos os únicos seres vivos que estabelecem uma distinção entre o que é bom e o que é ruim, por conseguinte, conhecedores de que nem tudo que dá prazer é bom, por vezes enveredamos na busca eterna pela felicidade e prazer, mesmo sabedores de que a felicidade é saber superar frustrações, pois não há como satisfazer todos os desejos, pois apesar de sermos seres desejantes, dependemos em muitas instancias da convivência social com o outro também desejante ao estabelecermos laços sociais.
Cristina Hoyer infere também que[4]:
“Portanto, laço social é um modo determinado de vinculação subjetiva e de endereçamento ao Outro. Eis o sujeito como ser social, no mundo instituído em que o sujeito “entra e progride””.
Por esse viés, podemos entender que o sofrimento gerado pelo enfrentamento de nossas tempestades durante o processo de construção de cada um de nós, é uma parte inevitável da experiência humana. Em algum momento, todos nós enfrentamos dor, seja ela emocional, física ou espiritual. No entanto, para aqueles que se sentem presos em uma dor insuportável, as substâncias como álcool e drogas podem parecer uma saída rápida, uma forma de “anestesiar” os sentimentos dolorosos. Mas, com o tempo, essas soluções temporárias podem se transformar em armadilhas, criando um ciclo de dependência e sofrimento ainda maior.
Nesse sentido, quando na nossa infância e adolescência assistíamos aos desenhos de Frajola, não nos dávamos conta do que ele estava passando nesse episódio.
O vídeo ( https://www.youtube.com/watch?v=qkuFMV-2eu4&pp=ygUbZnJham9sYSBuYW8gY29uc2VndWUgZG9ybWly0gcJCSkKAYcqIYzv ), nos mostra o personagem do desenho da Warner Bros, o gato Frajola que, apesar de sua natureza de certa forma engraçada, pode-se inferir que este representa nossas lutas internas, ou seja nossas tempestades que enfrentamos, durante o processo de construção de nós mesmos.
Nesse contexto, o personagem do desenho acaba por dar visão a uma luta constante do ser humano para alcançar seus objetivos, porém vindo a ser constantemente derrotado, o que pode nos remeter a uma metáfora no sentido de representar aqueles que lidam com a depressão, stress e ansiedade e que muitas vezes se sentem presos em um ciclo de tentativas e falhas.
Em termos metafóricos, durante o processo de enfrentamento de suas lutas, em busca da concretização de seus propósitos o personagem Frajola frequentemente se encontra em situações de isolamento, onde sua tristeza e frustração se tornam evidentes, o mostrando com insônia, agitação, desespero, buscando fugas, comendo compulsivamente, e até usando café e remédios, revelando um quadro de pânico e descontrole emocional.
Nesse sentido, embora cômica, as tempestades enfrentadas pelo personagem Frajola, nos apresenta a eterna luta da existência humana: a contínua busca por algo que nos completa, a luta entre o desejo e a realidade, e a persistência em meio a um ciclo contínuo de tentativas e recomeços que nós causam dor.
Por esse viés, Simonetti, nos ensina que[5]:
“Suportar a ansiedade sem ficar doente tem se mostrado uma das habilidades mais necessárias para a vida contemporânea. O mal-estar contemporâneo tem o tom da ansiedade e diferencia-se do medo porque neste existe objeto, ou ele é indefinido, vago, o que leva a pessoa a se defrontar com suas piores fantasias. A ansiedade pós-moderna é da ordem do suspense, não do medo. Na atualidade, não sabemos direito o que nos ameaça e muitas vezes o que nos agrada também é a mesma coisa que nos incomoda”.
Em mesmo sentido, podemos inferir que o personagem tenta esconder suas emoções por trás de uma fachada de humor e bravura, buscando com isso esconder sua tempestade, a luta interna entre a aparência de felicidade e a dor emocional.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por fim, a metáfora do desenho do Frajola, nos lembra da importância sobre a conscientização em reconhecer e abordar essas questões de saúde mental, principalmente devido ao fato de que conforme nós ensina Simonetti[6]:
“Baseada na vontade de controle e dominação da natureza das relações, a cultura pós-moderna está sendo concebida na recusa da fatalidade, na deslegitimação da ideia de destino e da tradicional resignação. O paradoxo é que, quanto mais controle, organização e eficácia alcançamos, maior é o nosso medo de perde-la”.
Simonetti[7] infere ainda que “vivendo na crença ingênua de que a felicidade é o estado natural do ser humano, somos parte de uma cultura do controle da vida, e aqui entram os antidepressivos”, e é nesse momento em que vemos o personagem Frajola entregar-se ao contexto da automedicação.
4 REFERENCIAS.
Simonetti, Alfredo. Pilulas e palavras / Alfredo Simonetti. 2.ed. – Barueri, SP: Novo Século Editora,2023. Pág. 76.
Do sintoma ao diagnóstico: psicanálise com crianças e adolescentes.Organização Renata Wirthmann. – 1.ed. – Londrina, PR: Editora Sinthoma, 2025.
[1] Do sintoma ao diagnóstico: psicanálise com crianças e adolescentes
Organização Renata Wirthmann. – 1.ed. – Londrina, PR: Editora Sinthoma, 2025.
(Série psicanálise contemporânea) – pág 84.
[2] Do sintoma ao diagnóstico: psicanálise com crianças e adolescentes
Organização Renata Wirthmann. – 1.ed. – Londrina, PR: Editora Sinthoma, 2025.
(Série psicanálise contemporânea) – pág 85
[3] Do sintoma ao diagnóstico: psicanálise com crianças e adolescentes
Organização Renata Wirthmann. – 1.ed. – Londrina, PR: Editora Sinthoma, 2025.
(Série psicanálise contemporânea) – pág 85.
[4] Do sintoma ao diagnóstico: psicanálise com crianças e adolescentes
Organização Renata Wirthmann. – 1.ed. – Londrina, PR: Editora Sinthoma, 2025.
(Série psicanálise contemporânea) – pág 88
[5] Simonetti, Alfredo. Pilulas e palavras / Alfredo Simonetti. 2.ed. – Barueri, SP: Novo Século Editora,2023. Pág. 76.
[6] Simonetti, Alfredo. Pilulas e palavras / Alfredo Simonetti. 2.ed. – Barueri, SP: Novo Século Editora,2023. Pág. 140.
[7] Simonetti, Alfredo. Pilulas e palavras / Alfredo Simonetti. 2.ed. – Barueri, SP: Novo Século Editora,2023. Pág. 141.